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This "Cartas sobre a educação da mocidade" was written by António Nunes Ribeiro Sanches in Portuguese language.

Page 1

Cartas sobre a
educação da
mocidade
By
António Nunes
Ribeiro Sanches

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The Project Gutenberg EBook of Cartas sobre a educação da mocidade, by
António Nunes Ribeiro Sanches
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Title: Cartas sobre a educação da mocidade
Author: António Nunes Ribeiro Sanches
Contributor: Maximiano de Lemos
Release Date: December 19, 2007 [EBook #23919]
Language: Portuguese
Character set encoding: ISO-8859-1
*** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK CARTAS SOBRE A EDUCAÇÃO DA MOCIDADE ***
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Nota de editor:
Devido à quantidade de erros
tipográficos existentes neste texto, foram tomadas
várias decisões quanto à versão final. Em caso de
dúvida, a grafia foi mantida de acordo com o
original. No final deste livro encontrará a lista de
erros corrigidos.
Rita Farinha (Dez. 2007)
BIBLIOTECA DO SÉCULO XVIII
II
CARTAS

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SÔBRE A
EDUCAÇÃO
DA
MOCIDADE
POR
A. N. RIBEIRO SANCHES
NOVA EDIÇÃO
REVISTA
E PREFACIADA

pelo
DR. MAXIMIANO LEMOS
COIMBRA
IMPRENSA DA UNIVERSIDADE
1922
CARTAS

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SÔBRE A
EDUCAÇÃO
DA
MOCIDADE
BIBLIOTECA DO SÉCULO XVIII
II
CARTAS
SÔBRE A
EDUCAÇÃO
DA
MOCIDADE
POR
A. N. RIBEIRO SANCHES
NOVA EDIÇÃO
REVISTA
E PREFACIADA

pelo
DR. MÁXIMIANO DE LEMOS

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COIMBRA
IMPRENSA DA UNIVERSIDADE
1922
Desta edição
fez-se uma tiragem especial de 100 exemplares,
numerados e rubricados.
N.º
_______
NOTÍCIA BIBLIOGRÁFICA
As
Cartas sôbre a educação da mocidade
que a
benemerência do sr. dr. Joaquim de Carvalho
hoje colocam nas mãos dos estudiosos são uma
das obras mais raras, se não a mais rara, do
grande sábio que se chamou António Nunes
Ribeiro Sanches. Não admira que isto suceda,
visto que hoje se sabe que a tiragem foi apenas
de cinqüenta exemplares que em Paris foram
entregues a Monsenhor Pedro da Costa de
Almeida Salema que em França nos represent
que a benemerência do sr. dr. Joaquim de
Carvalho hoje colocam nas mãos dos estudiosos
são uma das obras mais raras, se não a mais
rara, do grande sábio que se chamou António
Nunes Ribeiro Sanches. Não admira que isto

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suceda, visto que hoje se sabe que a tiragem foi
apenas de cinqüenta exemplares que em Paris
foram entregues a Monsenhor Pedro da Costa
de Almeida Salema que em França nos
representava
[1]
.
¿A quem eram dirigidas estas cartas? O sr. dr.
Teófilo Braga, na sua
História da Universidade
,
vol. III, pág. 349, afirma que o destinatário
era o
principal Almeida que fôra nomeado director
geral dos estudos e remetera a Sanches o alvará
de 28 de junho de 1759 abolindo as classes e
colégios dos jesuitas.
Não é assim. As
Cartas
foram dirigidas a
Monsenhor Salema e a êle se refere Sanches ao
escrever: «Quando V. Illustrissima foi servido
communicarme o Alvará sobre a reforma dos
Estudos, que S. Magestade Fidelissima foi
servido decretar no mez de julho passado e
juntamente as Instruçoens para os Professores
de Gramatica Latina, etc., logo determinei
manifestar a V. Illustrissima o grande alvoroço
que me causou a real disposição sobre a
Educação da Mocidade Portugueza; mas
embaraçado com algũa dependencia que então
me inquietava e com a saude mui quebrantada
ao mesmo tempo, não pude satisfazer logo o
meu dezejo».
Camilo Castelo Branco não possuía exemplar
impresso das
Cartas
, mas tinha em seu poder
uma cópia que começou a publicar no
Ateneu
,
revista conimbricense. Não identificava o
manuscrito que possuia com as
Cartas sôbre a
educação da mocidade
, mas a obra era dirigida a
Pedro da Costa de Almeida Salema. Esta idea
varreu-se-lhe
com o tempo. Nas
Noites de
insómnia
, n.º 2, de fevereiro de 1874 num artigo
intitulado
O oráculo do Marquez de Pombal
diz:
«O Marquez de Pombal, ou não quiz, ou apesar
da sua omnipotencia não logrou assegurar
repouso na patria ao seu douto oraculo, em paga
dos conselhos e projectos de boa administração
que o neto do hebreu lhe suggeriu de Paris, e o
valido ingrato aproveitou, occultando-lhes a
procedencia. A creação do
Collegio dos nobres
por carta de lei de 7 de março de 1761 havia sido
[VI]
[VII]

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aconselhada por carta de Ribeiro Sanches,
datada em Paris, em 19 de novembro de 1759».
Esta data é precisamente aquela que se lê no
termo das
Cartas sobre a educação da
mocidade
.
Publicou Camilo alguns trechos do seu
manuscrito. O que saíu no
Ateneu
compreende
as primeiras 16 páginas da edição original que
correspondem às primeiras 22 páginas desta; os
que apareceram nas
Noites de insómnia
são
transcritos das
Cartas
a contar da pág. 104 que
correspondem a
pág. 168
desta.
No
Perfil do Marquez de Pombal
de novo
considera Ribeiro Sanches «o mais proficiente
collaborador das reformas pombalinas» e diz que
êle
imprimiu em 1760 umas cartas sob o título de
Cartas sôbre a educação da mocidade
,
provàvelmente enviadas ao Conde de Oeiras.
Esta hipótese encontra a desmentí-la o
tratamento de
Vossa Ilustrissima
que êle dá à
pessoa a quem se dirigia.
Estamos hoje em circunstâncias de dizer dum
modo incontestável que o correspondente de
Sanches era Monsenhor Salema. Os dois
documentos que pela primeira vez foram
publicados no nosso livro a que atrás fizemos
referência o atestam.
«O Dr. Sanches me remetteu hoje o livro incluso
com a carta junta, obra que já insinuei a V. Ex.
a
e que me parece merecer a attenção de El Rey
Nosso Senhor e do seu sabio e respeitavel
ministerio pelos
mesmos
objectos de utilidade
que ella propõe para a educação e ilustração da
mocidade portugueza e que é a materia de varias
conversações que tive com este douto e honrado
patriota; julgando-a de grande proveito, lhe
signifiquei a quizera pôr por escripto para que
deste modo resultasse ao nosso reino todo o
bem que se póde tirar da dita obra: a
mencionada carta narra o motivo porque pareceu
mais conveniente que se preferisse a impressão
do manuscripto, estando certo que o numero de
exemplares
não excede o de que o autor faz
[VIII]
[IX]

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menção e que amanhã vem todos para meu
poder»
[2]
.
Junta vinha a carta de Sanches a Monsenhor
Salema com a mesma data:
«Illustrissimo e Reverendissimo
Senhor
.―Foi V. Illustrissima servido
conceder-me mandar-lhe esse exemplar do
manuscripto que tive a honra de
communicar-lhe, pedindo-lhe seja servido
remettel-o á nossa Corte, e das precauções
que tomei para que toda a impressão viesse
a ficar no poder de V. Ill.
ma
, como consta da
obrigação do impressor aqui junta: tão
(bem) peço a V. Illustrissima humildemente
queira declarar o motivo porque se imprimiu
este papel, reduzindo-se todo a diminuir o
volume do manuscripto, e para que se lesse
o conteúdo com mais facilidade e egual
recato. Espero amanhã levar a V.
Illustrissima os cincoenta exemplares,
porque não foi possivel estarem promptos
mais do que esse unico que remetto agora.
Se V. Illustrissima fôr servido tambem de
dar parte á nossa Côrte que dita impressão
ficará no seu poder até receber ordem para
dispôr della; porque só deste modo
ficará
a
nossa Côrte persuadida que não sendo do
seu agrado este impresso ninguem o verá,
nem lerá...»
Os dois documentos provam que as
Cartas
foram dirigidas a Monsenhor Salema e que êste
até tomava para si uma parte da autoria do livro,
ao menos como colaborador.
O livro é um opúsculo de 130 páginas além de 2
de índices. O frontispício é o seguinte:
Cartas
/
sobre
/
a educação
/
da mocidade
/ (uma
vinheta) /
em Colonia
/ (um filete) /
MDCCLX
.
Na última página, remata:
Deos guarde a V. Illustrissima muitos anos.
[X]

Page 9

Paris 19 Novembro 1759. Isto em letra de fôrma
e em letra manuscrita, mas não de Ribeiro
Sanches, a assinatura: Antonio Nunes Ribeiro
Sanches.
Os documentos que atrás reproduzimos
demonstram que a impressão foi feita em Paris.
Se não tivessemos esta prova irrefragável,
tornaria muito provável a asserção de que a
impressão tinha sido feita em França a
circunstância de que a
taboa das divisoens
, ou,
como hoje diriamos, o índice, tem a seguinte
indicação, em seguida à designação
Das Escolas
e dos Estudos dos Christãos até o tempo de
Carlos Magno, no anno 800
...
Page 5
O formato é de 0,86×0,15, tendo cada página 46
linhas. O tipo empregado foi o elzevir de corpo 8.
CARTAS
SOBRE
A
EDUCAÇAÕ
DA
MOCIDADE.

Page 10

EM COLONIA.
M. DCC. LX.
(Reprodução do frontispício da 1.ª edição)
Lendo o livro, não se encontram nele, senão por
excepção, as notas pessoais que tanto interêsse
dão ao
Método para aprender e estudar a
medicina
, mas estas destacamos:
No § que se intitula dos
Estudos Mayores ou
Colegios Reaes
(pág. 95 da edição original;
pág.
154
desta) referindo-se a um dos Colégios Reais
que se deviam fundar na Universidade escreve:
«Mas como sou obrigado escrever do método de
ensinar e aprender a Medicina, então he que
tratarei mais particularmente desta Escola».
Outra passagem fez-nos descobrir uma edição
de Camões em que êle colaborou: «E por esta
razão mostrei eu a necessidade que tinhão as
Escolas Portuguezas de adoptar o Poema de
Camoens, para educar a Mocidade, como se
poderá ver no Prefacio da ultima edição (pag.
101)».
A edição a que Sanches se refere é a que em
1759 publicou em Paris o editor Pedro Gendron
e ofereceu ao nosso ministro em Paris, Pedro da
Costa de Almeida Salema. Efectivamente em
uma advertência que se encontra no primeiro
volume com o título
Ao leitor
lêem-se as
seguintes palavras:
[XI]
[XII]

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